Nova cartilha da Redação do Enem 2026 explica autoria, argumentos e proposta de intervenção
A Redação do Enem 2026 ganhou uma nova cartilha com orientações ampliadas sobre autoria, desenvolvimento de argumentos, repertório sociocultural e proposta de intervenção. O material do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira mantém a estrutura da prova, mas aprofunda explicações práticas para os candidatos que farão o exame.
O texto continua sendo dissertativo-argumentativo em prosa, escrito na modalidade formal da língua portuguesa, com defesa de um ponto de vista e apresentação de proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. A pontuação segue de zero a 1.000 pontos, com até 200 pontos em cada uma das cinco competências avaliadas.
A nova edição reúne regras, correção e competências avaliadas, além de exemplos de textos bem avaliados no Enem 2025. O conteúdo também reforça alertas sobre repertório genérico, cópia de estruturas prontas e soluções vagas que não enfrentam o problema discutido pelo participante.
Formato da redação e correção foram mantidos
A cartilha informa que não houve mudança na estrutura principal da Redação do Enem 2026. O participante deverá apresentar tese relacionada ao tema, argumentos consistentes e uma proposta de intervenção articulada ao problema desenvolvido no texto.
As cinco competências permanecem as mesmas. A Competência I avalia o domínio da escrita formal; a II considera a compreensão do tema e o repertório sociocultural; a III analisa a organização dos argumentos; a IV verifica a coesão; e a V avalia a proposta de intervenção.
A correção seguirá sendo feita inicialmente por, no mínimo, dois profissionais graduados em Letras ou Linguística. Cada avaliador atribui de zero a 200 pontos por competência, e a nota final corresponde à média das notas totais dadas pelos corretores.
A redação passa por terceira avaliação quando houver diferença superior a 100 pontos na nota total ou superior a 80 pontos em alguma competência. Se a divergência permanecer, uma banca composta por três avaliadores define a nota final.
Cartilha amplia alerta sobre repertório de bolso
Um dos pontos centrais da Redação do Enem 2026 é o alerta contra o chamado repertório de bolso, expressão usada para identificar citações e referências prontas, memorizadas para uso em diferentes temas sem conexão efetiva com o assunto proposto.
A cartilha esclarece que o problema não está em citar filósofos, filmes, livros, leis ou fatos históricos. A perda de qualidade ocorre quando a referência aparece apenas como ornamentação, sem contribuir para explicar, comprovar ou aprofundar o argumento apresentado.
O documento reforça que o repertório precisa ser legitimado, pertinente e produtivo. Na prática, isso significa que a informação deve ser reconhecida socialmente, ter relação real com o tema e participar da construção do raciocínio do candidato.
Entre os novos exemplos, a cartilha analisa usos superficiais de referências a Platão e Aristóteles. O material esclarece que não existe lista de autores proibidos, mas destaca que qualquer repertório precisa ser corretamente interpretado e ter função argumentativa identificável.

Exemplos mostram como construir argumento produtivo
Para explicar o uso adequado do repertório, a cartilha trabalha com o tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Em um dos exemplos, a Constituição Federal de 1988 é mobilizada para discutir a responsabilidade estatal na proteção da dignidade e dos direitos sociais da população idosa.
O documento considera esse repertório produtivo porque a referência não aparece isolada: ela sustenta a análise sobre dificuldades de acesso à saúde, à assistência social e à inclusão, ligando direitos previstos e sua efetivação na realidade.
Outro exemplo utiliza “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, para discutir a valorização social associada à utilidade econômica. A argumentação relaciona essa crítica à invisibilidade de idosos. A cartilha também analisa o filme “A Substância”, conectado à pressão pela juventude e aos padrões estéticos que desvalorizam o envelhecimento.
Autoria e interpretação ganham destaque
As orientações da Redação do Enem 2026 reforçam que autoria não significa inventar dados nem apresentar ideias inéditas. O que se espera é a construção de um raciocínio consistente, com seleção de informações relevantes, interpretação do repertório e relação clara entre conhecimentos e problema social discutido.
O material afirma que modelos prontos podem levar a argumentos genéricos, mudanças abruptas de assunto e referências desconectadas do recorte temático. Uma referência simples e bem explicada, nesse contexto, pode ser mais eficiente do que uma citação complexa encaixada artificialmente.
O repertório sociocultural aceito pode vir de aulas, livros, filmes, músicas, notícias, documentários, podcasts, fatos históricos, pesquisas e experiências ligadas ao contexto sociocultural do estudante.
Proposta de intervenção exige ação concreta
A cartilha amplia a explicação sobre a diferença entre constatar um problema e propor uma intervenção. Afirmações como “faltam políticas públicas” ou “há pouco investimento” apenas descrevem uma deficiência, sem indicar necessariamente uma medida capaz de enfrentar a situação.
Para a banca, propor intervenção significa apresentar ação voltada ao problema discutido. Uma proposta completa deve indicar ação, agente responsável, meio de execução, efeito ou finalidade e detalhamento.
Frases vagas como “o governo deve criar políticas públicas” ou “a sociedade precisa se conscientizar” são insuficientes quando aparecem sem explicação. O candidato precisa mostrar qual medida deverá ser executada, por quem, de que forma e com qual resultado esperado.
A cartilha também orienta que o agente escolhido tenha competência para realizar a ação. Ministérios, secretarias, escolas, meios de comunicação, empresas, famílias e organizações sociais podem ser citados, desde que a responsabilidade atribuída seja compatível com a proposta.
Direitos humanos, tema e nota zero
Os princípios gerais dos direitos humanos foram mantidos. Continuam inadequadas propostas que incentivem tortura, mutilação, execução sumária, violência, discurso de ódio ou qualquer forma de justiça com as próprias mãos.
No caso dos exemplos atualizados, a cartilha passa a tratar de situações ligadas ao tema de 2025. São consideradas contrárias aos direitos humanos propostas que promovam violação dos direitos da população idosa ou incentivem violência e retirada arbitrária de direitos.
A leitura orientada da proposta de 2025 também reforça a necessidade de considerar todos os elementos do tema. A abordagem parcial configura tangenciamento, situação em que a redação pode receber, no máximo, 40 pontos na Competência II, além de sofrer limitações nas competências III e V. A fuga total ao tema provoca anulação do texto.
Os critérios gerais de nota zero continuam os mesmos: fuga total ao tema, desobediência ao tipo dissertativo-argumentativo, ausência de texto, ilegibilidade, identificação indevida, impropérios, desenhos ou inserção proposital de partes desconectadas. Também segue insuficiente a redação com até sete linhas manuscritas; para participantes que utilizam Braille, o limite é de até dez linhas.
Para quem vai fazer o exame, a preparação da redação se soma às orientações gerais sobre provas em 8 e 15 de novembro. Na cartilha, permanece a recomendação de reler o texto final para verificar clareza argumentativa, coesão, ortografia, pontuação e se a proposta de intervenção apresenta ação, agente, meio, finalidade e detalhamento.
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