Novas regras do CNE mudam uso de IA por escolas, professores e alunos

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O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou diretrizes que alteram o uso de inteligência artificial nas escolas brasileiras e em outras instituições de ensino públicas e privadas. As regras restringem a atuação de sistemas automatizados na avaliação de estudantes e exigem supervisão humana em decisões acadêmicas relevantes.

Entre os pontos centrais está a proibição de que ferramentas de IA assumam a correção, a avaliação ou a sugestão de notas em redações e questões dissertativas. Também ficam mais rígidas as regras para crianças, especialmente no uso sem supervisão por alunos até o 5º ano do Ensino Fundamental.

IA não poderá corrigir redações nem atribuir notas

O CNE enquadrou como risco excessivo as aplicações de inteligência artificial usadas para avaliar redações e respostas discursivas. Na prática, isso impede que uma escola envie um texto para uma ferramenta automatizada e use a nota calculada pelo sistema como avaliação oficial do estudante.

A lógica vale também para questões dissertativas, que dependem de interpretação, desenvolvimento de argumentos e análise do conteúdo produzido. A revisão e a atribuição de nota continuam sob responsabilidade de profissionais da educação.

Para estudantes que usam tecnologia para aprimorar a escrita, a IA pode continuar servindo como apoio em atividades de estudo, inclusive para treinar a Redação Enem, desde que não substitua a correção humana nem apresente o texto pronto como produção própria.

Supervisão humana continua obrigatória

As diretrizes não proíbem o uso de inteligência artificial na educação. O texto aprovado pelo CNE reconhece que a tecnologia pode auxiliar em planejamento de aulas, organização de conteúdos, produção de materiais pedagógicos, acessibilidade e acompanhamento de atividades educacionais.

O ponto central é que a ferramenta deve funcionar como apoio, e não como substituta do professor ou de outros profissionais da educação em decisões que afetam a trajetória escolar do aluno. Notas, aprovações e outras decisões educacionais relevantes não devem ficar exclusivamente nas mãos de sistemas automatizados.

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CNE IA na Educação (Imgaem IA)

Classificação de risco orienta o uso da IA

As novas regras do CNE para uso de IA nas escolas organizam as aplicações em quatro níveis: baixo risco, risco moderado, alto risco e risco excessivo. A classificação leva em conta o impacto que cada uso pode causar sobre direitos dos estudantes e sobre decisões que dependem de análise humana.

As aplicações de risco excessivo são aquelas que podem transferir para sistemas automatizados decisões que deveriam considerar contexto, interpretação e acompanhamento pedagógico. É nesse grupo que entram a correção de redações, a avaliação de respostas discursivas e a sugestão de notas.

Detector de IA não pode ser prova única para punição

As diretrizes também alcançam os detectores de textos produzidos por inteligência artificial. Esses sistemas tentam estimar se um conteúdo foi escrito por uma pessoa ou gerado por modelos automatizados, mas o resultado não poderá, sozinho, justificar punições a estudantes.

Antes de qualquer medida acadêmica, a instituição deverá considerar outros elementos e fazer uma avaliação humana. A orientação do CNE busca evitar decisões baseadas apenas em ferramentas que podem falhar na identificação da autoria de um texto.

Regras mais rígidas para crianças e jovens

O documento prevê cuidados específicos para alunos mais novos. Uma das medidas é a restrição ao uso de ferramentas de IA por estudantes até o 5º ano do Ensino Fundamental sem supervisão.

O objetivo é proteger o processo de aprendizagem e a segurança digital, já que crianças podem ter mais dificuldade para avaliar a confiabilidade das respostas geradas por sistemas automatizados e para lidar com temas de proteção de dados pessoais.

Ao mesmo tempo, o CNE defende que os estudantes aprendam a lidar com a tecnologia de forma crítica. As diretrizes tratam de letramento digital, pensamento crítico e capacidade de reconhecer erros, desatualizações e respostas enganosas produzidas por modelos de IA.

Professores seguem no centro da avaliação

Com as novas diretrizes, a mediação pedagógica e o julgamento humano continuam sendo fundamentais no processo de ensino. A inteligência artificial pode ajudar em tarefas operacionais e de apoio, mas não deve substituir o educador em etapas que exigem interpretação, acompanhamento individual e tomada de decisão.

Isso vale tanto para escolas quanto para instituições de Ensino Superior, que deverão criar políticas próprias para regulamentar o uso da tecnologia em ensino, pesquisa e gestão acadêmica. Essas normas devem tratar de autoria, transparência, integridade acadêmica e responsabilidade pelo conteúdo produzido com auxílio de IA.

Universidades terão regras próprias sobre autoria e transparência

Nas universidades e faculdades, a orientação do CNE é para que alunos, professores e pesquisadores saibam em quais situações precisarão informar o uso de ferramentas de inteligência artificial. A ideia é ajustar o uso da tecnologia às exigências de integridade acadêmica e autoria.

Para o estudante, isso significa que usar IA para organizar cronogramas, explicar conteúdos, elaborar exercícios ou revisar assuntos pode continuar possível, desde que respeitadas as regras da instituição. Já apresentar como próprio um trabalho produzido integralmente por inteligência artificial entra em conflito com normas de autoria.

Quando as regras entram em vigor

A aprovação pelo Conselho Nacional de Educação representa uma etapa do processo, mas as diretrizes ainda dependem de homologação do Ministério da Educação (MEC) e publicação no Diário Oficial da União para entrarem em vigor. Depois dessa formalização, redes e instituições terão prazo de 12 meses para se adequar às mudanças.

Determinadas restrições, porém, poderão produzir efeitos de maneira imediata após a entrada em vigor das normas. Para escolas, professores, alunos e universidades, a mudança coloca o uso da inteligência artificial em um novo patamar de controle, especialmente nas avaliações e nas decisões acadêmicas que dependem de análise humana.

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